Flores, Pragas e Sementes...

... o blog poético de Leandro Jardim (um espaço para poesias, minhas e outras / um universo para pensamentos, numas linhas poucas / um céu para as idéias todas, coisinha à toa)

30.10.09

Da vingança

a vingança
cansa ainda mais
a vítima
da primeira instância

a escraviza
à justiça
pelas próprias mãos
de uma criança

enquanto lhe aniquila
a liberdade
de ser
como na infância

28.9.09

A propósito do poema

Não pense que todo poema é escolha
de vida, de forma ou estilo;
nem entenda que está a serviço
o poema de alguma idéia
pré-concebida, como se do poeta
fosse incapaz o fastio.

Não deixe que a poesia
emoldure uma lembrança,
muito menos contorne-a
com esperança, plástico ou vidro.
É objeto independente
o poema, principalmente de seu autor.

E um completo inútil,
como nem mesmo uma flor.

26.8.09

Confissão de um poeta errante

Eu não pertenço bem
aos poetas de ruas
onde com eles circulei;

Não sou do tipo
que vai ao CEP
e experimenta ao vivo;

Nem sou de círculos
acadêmicos, se estudo
é pra não ser estúpido;

Mas entre eles,
confesso, oscilo
pra ser ouvido.

6.8.09

Sonetilho a Lysia

Luana Pionvani;
Camila Pitanga;
Antonelli, Giovanna;
não são meros nomes

de vã semelhança.
São lindas atrizes
que vêm-me à lembrança
em rimas felizes.

Mas não é por elas
que o peito-aquarela
me corre a caneta,

é por uma preta
que em cada faceta
eu sei bem mais bela.

29.7.09

bons poemas*

aqueles que unem
idéias e vísceras
aqueles que salvam
enquanto nos punem


* inspirado num comentário que fiz tempos atrás no blog
http://www.parambolicalalande.blogspot.com/

23.6.09

Poeta alternativo

Dispensou parentescos,
parênteses, digressões
e outras figuras grotescas.

Foi, qual tatuador,
escrever entre pernas,
cavernas situavam-no melhor.

Chegou a sua obra-prima,
o orgasmo
de uma rata de livraria.

29.5.09

algo daqui por aí

1.
Lasak me convidou para participar da semana temática do fim do mundo
confiram meu poema aqui


2.
O evento do 'Blog me livro' foi sucesso total,
o Pedro Zambarda conferiu e reportou
e os Orkuts estão cheios de fotos

15.5.09

Exercício sobre uma tristeza noturna

Glissando


Há algo de triste,
além da elisão - vogal
glissando a um tom mais baixo -
por baixo de mim.

Há um espaço doído,
ainda que buraco,
ou vazio e apertado,
por bem ao centro de mim.

E um tanto nublada
minha parte de cima,
de onde partem tais rimas,
fagulha e estopim.

Onde os tortos sonhos? Onde
se forja uma explicação?
Dai-me alguma razão, se existires,
ó Cosmos, Deus, Sr. Motivo.

Pois não me abarca a paisagem
dessa beira de abismo,
nem se vasto o lirismo
que não deixa dormir.


---------------------
(da série Exercícios)

11.5.09

Evento quarta-feira


28.4.09

Exercício sobre o moleskine*

Mergulho ulterior:


É mole: esquina,
caneta e um trocadilho:
comprei meu moleskine:

esperançoso que um fetiche
me alimentasse de vazios,
no depois de ontem, quando
descobri tal caderninho:

que agora sei: usado
por grandes
desconhecidos
e outros mestres mais queridos;

que agora tenho: à mão,
em branco, como esta palma
(que se aplaude para o nada)
ou a página de um livro:

a primeira, aquela
que não mais do que o título:
um prenúncio apenas,

mas sempre ávido, e por isso
(ainda que alegre)
um bem sombrio.


---------------------
(da série Exercícios)


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* Este vai dedicado ao Rafael Gryner. Enquanto meu lirismo imaginava a compra de um moleskine, tal grande amigo, sem saber, a realizava para presentear-me pelo meu aniversário recente. Aliás, o dele foi ontem. Portanto, a dedicação deste poema é ainda mais fortemente uma retribuição celebrativa!

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Informação importante - fim de semana estarei em Sampa para esse evento:


17.4.09

Exercício sobre a mudança

Dança muda


A mudança se apresenta
em seus passinhos novos
de cá pra lá:
falsa valsa.

Contradiz-se a mudança
também quando fala
e porque não escuta:
dura e surda.

Tempestade e bonança
sobre o que já não é,
mas será será será,
se a lembrança.

---------------------
(da série Exercícios)

8.4.09

Exercício sobre as escolhas cotidianas

Vide obra


Prefiro a vida
à obra
minha,
e também à obra alheia.

Gosto mais da cor dos dias coloridos
do que das letras embevecidas
que degusto às horas mortas,
como um ressuscitador
utópico e obsessivo
do que se passa nos agoras.

É essa minha usura.

(E contabilizar o tempo
é como contar estrelas
ou desenhar o vento, sei,
à maneira dos ingênuos.)

Sendo assim, escolho a vivência
antes da leitura, que escolho
antes da escrita. Mas, ante a isso tudo,
só mesmo a literatura.


---------------------
(da série Exercícios)

18.3.09

Enquete

O site POESIA HOJE pergunta: qual o melhor livro de poesia publicado em 2008 no Brasil? "Dobradura" e "Synchronoscopio" lideram enquete. Vote aqui.

15.3.09

Pueril

Uma criança descobriu algumas coisas
como, por exemplo, que independente
de todas as coisas que descobria,
todavia era criança. Percebeu,
no mesmo estalo, que à essa luz
até idade era fator ultrapassado.

Chegou a seu entendimento, ainda,
que as chateações eram como os tais vírus
que fora do corpo morrem-se em tempo pouco,
mas lá por dentro, ah, lá por dentro,
regozijam-se em continuar vivendo.

Resolveu ela, enfim e então, sair
por aí, os ais escrevendo.

25.2.09

Resenha no Jornal Rascunho

Escrevo este post apenas para informar aos amigos que visitam essa minha casa de poesia que o Jornal Rascunho em sua edição de fevereiro publicou uma resenha sobre meu livro Todas as vozes cantam, escrita pelo poeta e professor de literatura Igor Fagundes. Pra quem quiser conferir, segue o link abaixo:

JARDIM EM CORO

4.2.09

indisfarce

Não me ilumina a idéia
de falar apenas
aos poucos doutos,

nem me inebria o fardo
do entendimento pleno
que se precisa raso.

Sigo cambaleante
o equilíbrio errante
do que é profundo e claro,

como o que farta aos grandes
e é a mim tão raro
- disse o aspirante.

28.1.09

saladinfo

1. A poeta Paula Cajaty fez uma miniresenha muito bacana sobre o meu livro, leiam no site dela:
miniresenha Todas as Vozes Cantam, por Paula Cajaty

2. O blog da FL@P!RJ agora está com atualizações diárias, apresentando novidades sobre os participantes e a literatura contemporânea em geral:
http://flaprj.wordpress.com/

3. No final do ano passado participei de uma intervenção urbana performático-literária em memória ao centenário de falecimento do Machado de Assis (ver divulgação alguns posts abaixo). Em plena Confeitaria Colombo, fizemos um julgamento da Capitu, com a presença do próprio Machado (ou seria o Bentinho?) e uma divertida Boca de Urna. Confira os os melhores momentos:
Clipe Julgamento da Capitu

13.1.09

Noite

Dizer o que sinto
à noite que desce
não me comove.

Segredar o que conto
às estrelas erguidas
não me incomoda,

nem o que sonho
logo que acordo
tira-me o sono.

O que dói-me no breu
é aquilo que dorme
de seu.

9.1.09

Caetano Veloso X Alexei Bueno - notas sobre a polêmica da vez

Que bom que ainda pode haver polê mica¹ no mundo da poesia!
Que melhor ainda que ela possa estar estampada na contracapa so segundo caderno d'O Globo!


Fato 1
O livro "Uma história da poesia brasileira" (G. Emarkoff, 2007) de Alexei Bueno dá um tratamento claramente crítico e irônico ao movimento concretista brasileiro. Essa semana, conforme relatou a coluna Gente Boa d'OGlobo de terça-feira, tal passagem foi atacada pelo compositor tropicalista. "Caetano Veloso, em seu blog 'Obra em progresso', saiu em defesa dos poetas concretistas criticados por Alexei Bueno no livro 'A² história de poesia brasileira'. 'É simplesmente abominável', diz Caetano. 'Já na introdução embirrei com o português desse poeta respeitado e erudito. Parece coisa ruim.'"

Fato 2
A mesma nota do jornal dá direito de resposta a Alexei, que diz "O Caetano sempre foi uma espécie de aliado desses concretistas num esquema uma-mão-lava-a-outra. Eles lhe davam certa aura erudita - da qual ele nunca precisou - e recebiam em troca certa aura popular. Crítica não se faz embirrando com tal ou tal coisa, mas com acuidade e análise. O que não entendi mesmo é o 'Parece coisa ruim'. Será alguma coisa de Candomblé?". Estabelecida a divergência, uma interessante reportagem de Leonardo Lichote na contracapa de hoje do mesmo caderno do jornal prova que a polêmica reverberou. Além de nova voz aos envolvidos, a matéria traz a opinião de outros integrantes da classe, como os poetas Ferreira Gullar, Eucanaã Ferraz e Décio Pignatari (um dos fundadores do movimento concretista), além do também Editor Sérgio Cohn, só gente de primeiríssima.

***

Tendo em vista que eu li (e recomendo³) todas as 433 páginas do referido livro do Alexei com muito gosto, e que sou fã de Caetano Veloso (seguramente uma das pessoas mais importantes - e incríveis - da música popular brasileira de todos os tempos, e meu cantor favorito), não é de admirar que a polêmica tenha me causado enorme excitação e a necessidade de me manifestar (ainda que neste humilde espaço).

À ela: minha opinião é que ambos tem parcela de razão e são astutos polemistas. A passagem que comenta os concretistas no livro "Uma história..." realmente comete um daqueles deliciosos pecados. Ao criticar (com fundamentos) o movimento concretista abusando do sarcasmo, Alexei oferece ótimo entretenimento ao leitor, mas não reconhece o devido respeito conquistado pelos concretistas tanto na academia nacional quanto internacionalmente (uma das principais marcas que o Brasil deixou na arte mundial). Caetano percebeu isso e, como se sente diretamente envolvido (o que não deveria), não gostou da ofensa e quis defender o movimento que apoiou (e apóia). Isso sobre o tal fato 1. A réplica do Alexei, porém, também foi alvo de comentários hoje. Como ficou claro, é bem notória a diferença de princípios entre a tropicália e os concretos, convergindo apenas na postura de vanguarda. Mas é natural que artistas contemporâneos, mesmo que de estéticas distintas, se apóiem mutuamente na promoção de suas obras e idéias. Normalmente nesses casos (embora nem sempre, é preciso frisar) há verdade (é possível - e louvável - admirar algo diferente do que se faz) e há igualmente troca de interesses (artistas unem-se para auto-promoção conjunta desde sempre). Isso só é problema se feito com falsidade.

____________________________________________
1 - Em tempo: Ainda que de forma indireta - prática e intesionalmente - é possível interpretar a atitude do Alexei por uma lado positivo: ela ataca uma certa bandeira branca intelectual existente no mundo atual da poesia e - de certa forma - no âmbito artístico geral. Claro que ele não é o primeiro, nem o único, arrisco dizer que (felizmente) já é um movimento crescente, mas o fato (que acredito) é que tanto a evolução quanto a divulgação da nossa literatura ficam prejudicadas quando os autores adotam uma posutra de relativismo total, onde tudo é válido e pertinente: "sempre haverá um nicho específico, quem sou eu pra criticar". A partir de agora corro o risco de confunfir o leitor, mas prossigo. E isso até é verdade, o mundo atual comporta espaço pra qualquer vertente que exista ou venha a surgir. Mas, se perdemos a capacidade de dizer o que não gostamos, o que nos parece ruim, fraco ou falso, se não apontarmos a roupa do rei nu, estamos cometendo a omissão. E aí qualquer praga (para usar um termo deste blog) se desenvolve.

2 - O erro no título do livro descrito na reportagem tem seu peso. Ao escrever "A história" (e não "Uma história", como é o título correto) omite-se a postura autoconsciente a respeito da parcilidade do conteúdo do livro, que Alexei deixa bem clara.

3 - O poeta Eucanaã Ferraz, que admiro e respeito, discorda de mim, opinando que o livro "não tem importância alguma".



4.1.09

dúvidas, dúvidas

O bom poema
tem tema ou tempo?

Poeta novo,
o velho tema?
Ou use o bojo,
o faz de gema?

Poeta antigo,
terá o ouro
em tema ou forma?
Ou no antes novo?

E eu, que ovo:
teclado ou pena?

20.12.08

O bebê que aqui chora no avião,

não deve ser por medo de aviação
nem claustrofobia ou mal atendimento.
Assim como a mãe, eu também não sei
que mal agouro guia o seu lamento.

Se continuar assim, então, eu canto
ou puxo um coro a ver se nina o chororô,
(virão comigo os que não mais aguentam?):
"uh baby, baby, it's a wild world"...

5.12.08

Melhores momentos da FLAP!RJ 2008

Pra quem não sabe, faço parte do Coletivo riosemdiscurso - na companhia de Priscila Andrade, Ramon Mello, Diana de Hollanda e Vinicius Baião - que organiza anualmente aqui no Rio um evento de debates sobre literatura chamado FLAP!RJ.

Como eu disse certa vez numa entrevista, nossa idéia é aproximar. Aproximar autores independentes e editados, novos e renomados, editoras grandes e edições do autor, enfim, pessoas criativas e interessadas em fazer algo pela e para a literatura nacional, saciando suas mais puras intenções e egos.

Esse ano novamente tivemos o prazer de contar com a participação de pessoas muito interessantes e relevantes em nosso ambiente literário. Abaixo um clip com os melhores momentos. É pra quem não foi ver o quanto perdeu. ;)

28.11.08

duas leituras - convites

Amigos,
Escrevo para convidá-los para duas leituras das quais participarei este fim de semana.

Sábado, 10h até meio-dia, Confeitaria Colombo (Centro)

Lembrando os cem anos da morte de um dos maiores escritores brasileiros, Machado de Assis, Marcio Zardo (pra quem não sabe, o pai do Lucas Zardo) está tramando
uma intervenção urbana performático-literária que dar-se-á neste sábado. Aproveito para lembrar que também que os amigos Rafael e Joana Gryner participarão da intervenção, que promete! Adoraria vê-los por lá! Será uma boa oportunidade de vermo-nos e tomarmos um café!

A pergunta do evento que não quer calar é: Capitu traiu? Sim ou não?





Domingo, 19h, Museu da República (Catete)

II Festival de Poesia da Primavera dos Livros 2008

Oitava edição da Primavera dos Livros ocupa os jardins do Museu da República oficialmente a partir de quinta (27), às 19h. Depois, de sexta (28) a domingo (30), o evento organizado pelos integrantes da Libre, a Liga Brasileira de Editoras Independentes, oferece ao público, em 86 estandes, livros com descontos de até 40%. Participarão também:

1. Henrique Rodrigues - Pinakotheke
2. Tavinho Paes - Ibis Libris
3. Bayard Tonelli - Ibis Libris
4. Vera Abad - Prazerdeler
5. Os 7 Novos - 7Letras
6. Andréia Lourenço - Frente Editora
7. Augusto Sérgio Bastos - Editora Uapê
8. Léa Madureira - Editora Uapê
9. Leda Miranda Hühne - Editora Uapê
10. Marta Martins - Cuca Fresca
11. Solange Casotti - Bem-Te-Vi
12. Suzana Vargas - Garamond
13. Maria Rezende - 7Letras
14. Paula Cajaty - 7Letras
15. Elaine Pauvolid - Ibis Libris
16. Ismar Tirelli Neto - 7Letras
17. Leandro Jardim - 7Letras
18. Pedro Lage - Ibis Libris
19. Mano Melo - Ibis Libris
20. Laura Esteves - Ibis Libris
21. Ayssa e Bia Norek - Ibis Libris
22. Rosália Milsztajn - Ibis Libris
23. Flávio Machado - Ibis Libris
24. Álvaro Miranda - 7Letras
25. Vanisa Moret Santos - 7Letras
26. Alberto Tornaghi - Ibis Libris
27. Silvio Ribeiro de Castro - Ibis Librs
28. Ricardo Ruiz - Ed. Museu da República
29. Celina Portocarrero - 7Letras
30. Adriana Monteiro de Barros - Ibis Libris
31. Jorge Ventura - 7Letras
32. Angela Carrocino - Ibis Libris
33. Pedro Lyra - Ibis Libris
34. Luiz Otávio Oliani - Ibis Libris
35. Ricardo Jacomo - Ibis Libris
36. Maria Helena Azevedo - 7Letras
37. Alice Sant'Anna - 7Letras

26.11.08

observação

Observar os outros é flertar consigo,
é compor, um ato fictício
onde sempre se é autor.

Sentar e olhar pessoas,
ou ouvi-las, fala
das próprias fantasias.

De alheios sabe-se
nada, apenas que seus olhos
dão bons espelhos.

8.11.08

Diálogo e narrativa (ou A história de uma catarse)

Estava eu pensando
nos sinais do cosmos
como um louco, como um
megalômano,
quando senti que já ia
-se a tarde em fuga:

covarde crepúsculo
abrindo-me o corpo e a cidade
ao redor do instante
em que (nunca e como antes)
eu me sinto no rumo
certo, embora não saiba
(e talvez até por isso)
onde chego no fim!

- exclamei ao transeunte
desavisado e inconsequente
que me interrompia a perguntar
as horas em vão.

1.11.08

um pouco daqui por aí e vice-versa

pra quem é de respirações e pausas
tem poema meu no b7c

pra quem é de deslizar em palavras
tem prosinha nova no Caramelinhos

e pra quem é de paisagem
abaixo um pouco de um mestre






24.10.08

um conto chamado situações

prezados, esse mês ousei
um conto no Caramelinhos
& Caraminholas, a quem interessar:



15.10.08

De Época

Eu poderia tornar drama
épico o meu passado,
tão simples e prosaico,
tão contemporâneo.

Eu poderia erguer pirâmides egípcias
de complexos édipos, palavras
à sombra do império paterno,
dourar o meu caderno.

Mas meu cotidiano foi mais
humano, e não menos
poético por isso:
ser mundano hoje é mais propício.

5.10.08

sorrisos

Ele adorava os sorrisos delas,
as atendentes das lojas,
e também das moças bonitas,
claro, e principalmente quando juntas
essas características.

Sorria de volta, mas secretamente
- quando isso ocorria numa livraria -
queria mesmo era dizer: olha,
aqui vocês vendem meu livro - o que
significaria "sou um autor publicado".

Mas incisivos os olhares nunca
quebravam tal sorte de silêncio,
pra seu azar e desagrado, embora
seguissem elas sorrindo igualmente
(mas só pra ver se a comissão melhora).

27.9.08

um post de links

o poeta Anderson Fonseca escreveu uma resenha muito interessante sobre meu livro, confiram:
A Beleza, a simplicidade, o refinamento... instrumentos de um poeta - Diário de um leitor


postei prosinha nova no Caramelinhos & Caraminholas que (diga-se de passagem) está num ótima fase:
o povo anda inspirado


fotos do lançamento do meu livro em niterói no movimento ArteJovem.Org:
15 de setembro de 2008

19.9.08

FLAP! Rio - Interferências

Prezados amigos,

Segue a programação da Flap! Rio de Janeiro 2008.
É neste final semana!

Contamos com sua presença no sábado e no domingo.
A programação está imperdível!

Abaixo mais detalhes:

Até lá,


FLAP! Rio - Interferências
Data: 20 e 21 de setembro de 2008
Local: Marquês de São Vicente, 225, Gávea. Campus da PUC-Rio, Auditório del Castilho - 2º andar, Prédio RDC (Ed. Rio Datacentro)
Mapa: http://www.puc-rio.br/sobrepuc/campus/mapa/index.html
Horário: 14:00 às 19:00
Site: http://flaprj.wordpress.com/

Em sua terceira edição carioca, a FLAP! assume o tema INTERFERÊNCIAS.Em dois dias - 20 e 21 de setembro - a PUC será o palco de 4 debates, 2 saraus e a exibição de dois curtas.Abaixo confira a programação.

20 de setembro

14h - Abertura - a abertura do evento ficará a cargo da poeta e filósofa Viviane Mosé.

14h30 - Geração Espontânea - Geração Mimeógrafo, 00, 80, 90… Uma estratégia de venda ou um retrato, um instantâneo de um momento literário? Quem define, o que difere? Para situar ou para estigmatizar? São válidos esses rótulos?
Mediadora: Heloísa Buarque de Hollanda (editora da
Aeroplano e professora da UFRJ)
- Flávio Izhaki (escritor)
- Miguel Conde (jornalista de literatura dO Globo)
- Viviane Mosé (poeta)


16h20Sarau Movimento InVerso - Clauky SabaAdriana Monteiro de Barros / Betina Koop / Madame Kaos (juju hollanda, beatriz provasi e marcela giannini) / Marcella Maria / Priscila Andrade

16h50Empório de palavras - Sebos, livrarias de bairro, virtuais, grandes redes. Produções artesanais vendidas em portas de teatro, e-books disponíveis em sites e blogs. Busdoors propagandeando – e vendendo! - o mais novo título de auto-ajuda. Quem é o leitor de literatura brasileira? Qual o caminho para os novos autores? Poesia não vai para as vitrines porque não vende ou não vende porque não vai para as vitrines?
Mediador: Tanussi Cardoso (poeta e editor)
- Eucanaã Ferraz (poeta)
- Claufe Rodrigues (poeta e jornalista)
- João Emanuel Magalhães Pinto (editor da Guarda-Chuva)
- Victor Paes (poeta e editor da Confraria do Vento)

18h40 – Exibição do curta 'POR ACASO GULLAR', de Maria Rezende e Rodrigo Bittencourt
19h – Encerramento


21 de setembro

14h - Abertura - Leitura de Lorca

14h30 - Palavras nos meios - tecnologia e miscigenação.Vídeos, CD'S, blogs, sites colaborativos, compartilhamento na web.O diálogo da literatura entre mídias é uma evidente característica da produção contemporânea. Mas até que ponto os diferentes suportes interferem diretamente na escrita? De que maneira essa interação se torna positiva ou valoriza o texto que não se sustenta? Como está escrevendo a geração de escritores que utiliza a internet como principal ferramenta de publicação?
Mediador: Ramon Mello (escritor e jornalista)
- Lucas Viriato (poeta e editor do jornal Plástico
Bolha)
- Olga Savary (poeta e tradutora)
- Omar Salomão (poeta)
- Alice Sant'Anna (poeta)


16h20Sarau Castelinho do Flamengo - João Pedro RorizManoel Herculano (ator e escritor) / Marcelo Girard (jornalista e escritor) / João Pedro Roriz (ator e poeta)

16h50 - Vanguarda - Artistas de vanguarda protagonizaram movimentos marcantes como a Semana de Arte Moderna de 22 e a Poesia Concreta, rompendo com alguns padrões e características estéticas de sua época e re-significando outros. Mas, em 2008, o que é possível encontrar de novo? Ainda existe a possibilidade de vanguarda na literatura atual? - Mediador: Leandro Jardim (poeta e letrista)
- Beatriz Resende (crítica literária e professora da UFRJ)
- Dado Amaral (poeta, ator e cineasta)
- Paulo Henriques Britto (poeta, contista, tradutor e professor da PUC-Rio)

18h40 – Exibição de curta 'PROCURANDO DRUMMOND', de Rodrigo Bittencourt
19h – Encerramento

10.9.08

Museu

Será que minha idéia cabe
em um tomate amassado
na minha testa?

Não será, este,
outro prazer
que a arte presta?

1.9.08

incorrigível

ninguém mais me atura, eu
mergulhei foi de vez
na questão da literatura, sei

que por egocentrismo ou sofrer
do mal de fundura doída
pelo não-significado da vida

e assim alterei-me a postura
da linguagem, da letra que pensa
que cura, mas é tudo passagem

ao nada, como toda cultura
é aragem, é pasto, é comida
que algum dia outro ser regurgita

e engole, e digere, e caga
ou vomita o que já foi descarga
e ninguém mais censura

--------------------------------------------
Amigos,
a FLAP!RJ será imperdível:
20 e 21 de setembro na PUC-Rio
confiram a programação

--------------------------------------------
E os novos participantes do blog
Caramelinos & Caraminholas
seguem encantando!

22.8.08

a fábrica de
Caramelinhos
está de volta

experimente

11.8.08

Borra nenhuma

Pensei em versos
sobre a borra do café
anunciando o negrume
amargo dos meus dias
saborosos

seriam assim:
"enquanto eu tomava no c-
opo de requeijão o cafezinho
, pensava nela, quente:
viu quem te vê?"

mas a quem lesse soaria meio
vazio, esquisito, esse talvez prolixo,
ou pior, de comicidade vaga,
aquela poesia tida
contemporânea sem quê
nem porquê

ao invés, então, de jogar
com a paciência do leitor
ou a idéia no lixo
optei, por bem, por isso:
esculhambar tal teor.

29.7.08

Crepuscular

As horas fazem mais sombra
que abrigos ou entrelinhas.
O tempo também,
por outro lado, tem
postura de sol, de interruptor
de luz.

Enquanto eu, como
e com o globo
terrestre, giro.
E como a roda de um triciclo
ecôo ciclo,
ciclo, ciclo.

Mas não. Não é bem isso,
dado que é pura ilusão
o vínculo do que transcorre
com o ridículo dos meus atos:

o fato
é que sou, pelo movimento esparso,
apenas (e a duras penas)
um vão. Uma caverna
no aguardar de toda busca,
o paradoxo da lanterna:
que só presta a quem se ofusca.

-------------------------

amigos, aproveito o post pra fazer 3 divulgações importantes:
*
1. Esse final de semana começa a FLAP-SP 2008!
*
2. O caro amigo e poeta Anderson Fonseca
apresenta uma excelente nova safra de poetas
em seu blog, da qual, por sorte e orgulhosamente
*
3. Um poema meu serviu de mote para uma
bela foto, no blog de poesia erótica PAX:

16.7.08

Eis o rótulo


imagem:
texto:
.
***
.
Ao contrário de como encerra a matéria, eu diria que nem todo rótulo assombra. Que o digam os integrantes dos grandes movimentos do passado. Hoje, nesse mundo dito pós-toda-vanguarda, por exemplo, aposto que como eu, ao menos a maioria dos citados na reportagem do JB, ficou lisonjeada com o "novos talentos" que legenda a foto. Não foi diferente, para mim, que soou o famigerado rótulo "Geração 00". É claro que eu entendo que provavelmente não faz sentido agrupar-nos, eu era - só pra se ter uma idéia - o único poeta ali. Tampouco me parece razoável que escritores sejam estilisticamente classificados de acordo com os períodos de sua publicação ou estréia. (Esse - diga-se de passagem e aproveitando o ensejo - será um dos temas da FLAP-RJ que vem aí. Preparem-se.) Mas quando a Carol Marossi me citou (ver alguns posts abaixo) em seu blog dentre outros novos poetas, apropriei-me rapidamente da expressão, como poderão notar. Por que? Simples, porque essa é a expressão escolhida (pela crítica ou mídia, das quais, claro, sempre devem haver ressalvas) para tratar as apostas ou boas estréias da nova safra de autores. E, sem hipocrisia, repito, gosto de estar classificado aí, pois significa algum tipo de reconhecimento nesse caminho inglório que é a prática literária. E, na pior das hipóteses, serve como uma boa divulgação para o meu trabalho, no qual tanto investi e invisto. :)

Erratas da matéria:
1) O nome do meu livro é Todas as Vozes Cantam. Eu não conheço nem usaria a palavra "vozas".
2) Este é um livro de poemas, e não um "romance misturado com poesia" conforme o carimbaram as aspas do parágrafo que me diz respeito. Foi uma confusão da jornalista ligada a um comentário ingênuo sobre projetos futuros.
3) As opiniões coletivas expressas pela reportagem obviamente não econtram eco estrito nas opiniões de cada envolvido.
4) Para ser sincero, praticamente não houve interação entre a gente. Eu não conhecia ninguém (dois dos nomes eu já tinha ouvido falar, mas não reconheci os rostos). A única pessoa com quem consegui trocar umas boas idéias foi o Pedro Vieira do Nerdquest, certamente um cara bacana que conheci.

10.7.08

Um Dó Lá Si Já

Desculpem-me se sumi, sim, por quase um mês. Eu estava... envolto numa bruma neo-clássica de dimensões cíclicas, de onde (semi-) parti à uma literatura debatida e machucada de tanto se debater. Algumas rajadas, também, esbarraram pelo que era nuvem, pelo que era eu, pelo que era nunca e pelo que era é, agora. É, a coisa está preta e o jardim respira o agridoce perfume de uma prosa mutante que desabrochou. Buscando espaços novos, alguns poemas, esses homenzinhos independentes, andam evitando esse quarto. E cansando se esparramam deitados para um cochilo novo. Quiçá de sonhos. Quiçá de pesadelos liricamente descritíveis. Mas seguramente de incertezas: não sei se já voltarei.

16.6.08

espirituoso & clássico

subestimando-me o espírito
e a ordem dos fatores
pensou que minh'alma
fosse alminha

28.5.08

El juego de la memoria

Como podem outras pessoas
lembrar-nos as antigas
e ainda vivas, ah, tão vivas
na memória? E como pode
esta brincar com o agora,
ou dentro se joguete
do afora e suas intrigas?

As certezas, as apostas
de cada carta aberta, seguem
assim, caminhando glórias
perdidas, como o vem e vai
das respostas: insignificando-nos
enquanto significa a vida.

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Abril de 2008
(da série Poemas Porteños)


***
A quem interessar:
fui citado no blog Hay Tomates,
como poeta da "geraçã0 00",
pela querida Carol :)

27.5.08

olha o meu filho recém nascido aí:







ei, psiu, faz seguinte: deposita 28 na minha conta que eu te mando pelo correio! autografado, ainda por cima. na livraria não tem frete, se quiser, pede lá que sai a 26. ah, ou no site da editora.

26.5.08

aniversário de 2 anos
confiram o clima de festa e parceria

14.5.08

Bosques de Palermo

a moça caminha
em meio as árvores
da praça próxima
ao centro
da cidade
ao redor dela
seus pensamentos:
os meus.

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Abril de 2008
(da série Poemas Porteños)

30.4.08

Aires tuyos

Tão fácil perceber na solidão
multidões, tão incômodas
quanto os milhões.
Quando dói o um que sou,
é por mais um e só:
a imensidão de dois,
os infinitos nós.

Abril de 2008
(da série Poemas Porteños)

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Inauguro, assim, aqui e no Blog
de Sete Cabeças uma temporada
de Poemas Porteños. Atualizei
a semana de convidados por lá
com um poema do porteño Borges.

15.4.08

poema-convite

hoje no Blog
de 7 Cabeças
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É hoje!

7.4.08

todas as vozes cantam*

"Você reparou no título deste livro? Ele é preciso em diversos sentidos. Entre outras coisas, fala da capacidade que todos têm de se tocar por poesia. E essa é justamente uma das principais tônicas do poeta Leandro Jardim: a poesia não é só para poetas e sim para qualquer um que tenha em si ao menos uma fagulha de sentimento.

Muitas de suas poesias, como 'Riscos' e 'Joaninhas de Copacabana' são uma refrescante oposição ao excesso de hermetismo e referências, tão em voga ultimamente.

Leandro Jardim alinhava versos com leveza e desenvoltura. Tudo tilinta, tudo é musical: as palavras, os jogos de idéias, o ritmo dos versos, a cadência das rimas. 'Desenho 3x4' chega a parecer uma melodia. 'Decisão' canta em versos curtos os extensos sentidos de algumas palavras.

Além disso, nesse mundo marcado pela Internet, há muitas vozes cantando. Entretanto, é fácil perceber que, embora muito se veicule, são poucos os que não se limitam a bater sempre na mesma tecla. Leandro Jardim é um poeta que estréia com muito a dizer. A inquietação é flagrante em poemas como 'Trilogia: palavra, poeta, poesia' e 'Algo de belo a dizer'.

Enfim, esse livro é o coro ecoante de suas tantas vozes. Umedeça o dedo na língua, abra os lábios do livro. Elas estão esperando. Vamos, a orelha já está aberta. Já não há remédio senão escutar."

(Nathalie Lourenço escreve no blog Sabedoria de Improviso)


* texto da orelha do livro

30.3.08

Compareçam, encomendem, peçam nas livrarias!

4.3.08

Não ser, eis uma opção.

Há coisas que a vida faz
parecer não existir.
Pois que a existir assim,
se fazem um tanto mais.

E por tantas coisas tais –
que, sendo não, serão sim
na verdade por detrás –
é que a vida vale o ir.

For tempo, o próprio jaz,
matéria, há de puir...
E só não terá seu fim
o que, não sendo, o distrai.



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OBS1
Semana de convidados no B7C!!!
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OBS2
Na véspera do comentado dia bissexto
da semana passada, esse blog completou
2 anos de poesia! Obrigado à todos!

24.2.08

levitâncias

pra minha
pretinha
e meu bem
parabéns
em meio a intensidade da vida
tantas vezes dura
a vontade de sorrir
a
***
a
e os sinos tocam
amar é
bem bom

12.2.08

Um possível último alexandrino

O farfalhar do ego em dúvida constrange
o estômago - chamado alma ou coração.
E o sentimento, carvão corado, se abrange
e nos fazemos, vemos, lemos emoção.

São esses lemes entre o somos e o queremos,
suaves sopros em velas ou frágeis flâmulas,
que luzem fardo e vias sobre o que não temos,
onde as auroras frias e as noites sonâmbulas.

Assim, fora toda metáfora, que nata
desfaz a natureza em sua destragédia,
o mais é um certo tipo de nada repleto.

E nós um certo tipo repleto de nada,
mistificando agoras e enciclopédias
sobre o que foi. Sobra o que sou de indireto.